Trabalhar com manutenção de microcomputadores é algo que fica no limite entre o apaixonante e o horripilante. Em certos momentos, lidar com as máquinas pode te causar calafrios, náuseas e até mesmo ódio mortal. Você vai do céu ao inferno rapidinho, num piscar de olhos.

Cada máquina coletada para manutenção é algo sempre novo. Ali, naquele equipamento, além de misturados componentes e periféricos que compõem uma configuração quase sempre única, também estão arquivos e configurações feitas pelo usuário, e é claro, você vai encontrar muitos vírus, spywares e malwares de todos os tipos. E existe um detalhe bastante importante que deve ser lembrado: se a máquina veio para manutenção é porque a maldita tem algum problema.

Enfim, nas máquinas ainda estão empilhados todos os rancores e mágoas dos usuários, que certamente também acabam passando para seus microcomputadores todas as características que lhes são peculiares, como desorganização, desleixo, irresponsabilidade, desapego e, tudo isso somado com a ação maléfica da energia estática e, não esquecendo ainda, da poeira caseira que fica impregnada nos contatos e nas placas eletrônicas.

Tá! Não chega a ser a pior profissão do mundo, mas as vezes te causa insônia e te faz arrancar os cabelos (aqueles poucos que restam).

Você acha isso tudo um grande exagero né? Então deixa eu te contar um causo que aconteceu comigo:

Noite de sexta-feira. Que maravilha! Todo mundo indo para a balada e eu indo para a casa de um cliente. Sem problemas, afinal estou ganhando um troquinho extra honestamente.

Depois de explicar detalhadamente todo o problema da máquina, o cliente finalizou o papo dizendo que tinha uma certa urgência na resolução do caso. Ok! Mãos a obra.

Naquele caso específico, como o Windows estava cheio de erros e, devido a presença de diversos arquivos infectados, além de não encontrar a internet ou qualquer outro tipo de rede, a solução mais rápida e eficaz seria fazer backup dos arquivos dos usuários e formatar a máquina, instalando todos os sistemas novamente. Foi o que fiz.

A exaustiva instalação deve ter levado mais ou menos uma hora e meia, contando com os aplicativos, antivírus e demais atualizações dos drives. Quando fui conectar à internet para atualizar o antivírus, notei que o micro teimava em não conectar. Maldito! Fucei, mexi, estudei, desanimei e larguei de mão. Já era tarde e já não conseguia mais raciocinar.

Fui mexer no maldito micro apenas no outro dia. Foi quando joguei a toalha e pedi ajuda para o meu colega de sala. Ele, de imediato, apontou para o roteador que estava desligado. Maldito!

Depois de tudo conectado e funcionando perfeitamente, era hora de devolver ao HD todos os dados do cliente. Ao restaurar o backup dos usuários, notei que o HD estava sobrecarregado. A quantidade de arquivos era tão grande que ocupava quase que totalmente o espaço livre do HD. Resolvi então, como o cliente já era conhecido, emprestar-lhe o meu HD até que ele pudesse providenciar outro, e assim fiz. Desliguei a máquina, montei todas as placas e periféricos, colocando-os cada um no seu lugar. Fechei a máquina e cruzei os braços, como o criador admirando a sua criação.

Achei tão legal ter acabado que resolvi religar a máquina. Mais uma dor de cabeça: o HD com os dados do cliente não mais aparecia. Era como se ele não existisse. Então, depois de verificar por diversas vezes o setup, com o intuito de encontrar ali mapeado o HD, abri a máquina novamente. Lá estava o cabo de dados solto. Ufa! Já estava tentando arranjar alguma desculpa para dar ao cliente. Dessa vez não foi necessário…

p.s.1: Estou pensando seriamente em mudar de profissão.

p.s.2: Crédito da foto: NinjaGames

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