Collor diz que quem o chamou de ladrão “tem que se calar”

BRASÍLIA (Reuters) - Quinze anos depois de ter sido afastado da Presidência da República em processo de impeachment, o senador Fernando Collor (PTB-AL) voltou pela primeira vez ao Palácio do Planalto para uma audiência da bancada de senadores de seu partido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

fernando collorCollor chegou ao Planalto pelo saguão principal, dizendo que suas expectativas para o encontro eram “as melhores possíveis”. Cercado por jornalistas no caminho até o elevador, afirmou ter sido “vítima de uma injustiça” no processo de impeachment, lembrando ter sido absolvido da acusação de crime de responsabilidade no julgamento pelo Supremo Tribunal Federal.

Um jornalista perguntou se o ex-presidente se recordava de que “as pessoas o chamavam de ladrão” quando deixou o Planalto em dezembro de 1992, após a decretação de impeachment pelo Senado. “Essas pessoas agora vão ter que se calar porque tenho uma sentença do Supremo que me inocenta”, respondeu Collor.
Antes, Collor havia reclamado do tom de algumas perguntas feitas pelos repórteres que o cercaram. Uma delas era se o ex-presidente se considerava “fruto da impunidade”. É cada pergunta que vou te contar, reagiu antes de responder: “Não, absolutamente, ao contrário”.A audiência com Lula marca também o primeiro encontro entre os dois desde dezembro de 1989, quando se enfrentaram no último debate da primeira eleição direta para a Presidência da República depois da ditadura militar.

A campanha vencida por Collor foi marcada por um ataque pessoal sem precedentes na história política brasileira. A campanha de Collor levou à TV uma ex-namorada de Lula para acusá-lo de ter lhe pedido que abortasse a filha dos dois, Lurian.

Embora Lula tenha dito a amigos na época que não haveria reconciliação possível com o adversário, em dezembro do ano passado o presidente demonstrou ter superado o episódio, pelo menos do ponto de vista político. Lula afirmou que Collor, eleito senador depois de cumprir um período de inabilitação de oito anos, poderia “dar uma grande contribuição ao país” com sua experiência de ex-presidente.

O PTB tem cinco senadores e faz parte da coalizão de governo, embora o presidente do partido, ex-deputado Roberto Jefferson, seja adversário declarado de Lula.

21/03/07 18:37 ( Fonte: Reuters)

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